Notícias

Com os conselhos de Adrianinha, basquete de Pernambuco brilha nos Jogos Escolares

Jogadora da Seleção Brasileira treina com time do BJ Colégio e Curso no Recife

Adrianinha
Crédito: Wander Roberto/ Inovafoto/ COB
Atribua uma nota:

Com três vitórias consecutivas, 276 pontos marcados e 95 sofridos, o time do BJ Colégio e Curso (PE) se classificou para a semifinal do torneio feminino de basquetebol da Segunda Divisão dos Jogos Escolares da Juventude Belém 2013, etapa de 15 a 17 anos. Com atletas de cinco estados, experientes em competições adultas, a equipe pernambucana conta com uma torcedora muito especial, a armadora Adrianinha, que está na capital paraense como embaixadora do evento.

Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos Sidney 2000 pela Seleção Brasileira e atual campeã da Liga Feminina de Basquete (LBF) pelo Sport Club do Recife, Adriana Moisés Pinto (Adrianinha) acompanha de perto o desempenho dos jovens alunos-atletas da maior competição esportiva escolar do país. “Eu acho muito legal estar aqui. Me lembra um pouco dos Jogos Olímpicos. Espero que, para elas, seja uma experiência muito boa porque é um momento único”, declara Adrianinha, que participa pela primeira vez do Programa de Embaixadores.

As meninas do BJ conhecem bem Adrianinha. Desde que começou a defender o Sport, em 2012, a armadora treina no mesmo local das garotas e, assim que chegou a Belém, foi logo assistir ao último jogo da equipe pernambucana na fase classificatória do torneio: vitória por 52 a 20 contra o SEB Dínatos COC (DF). Nesta sexta-feira, dia 15, na quadra do Colégio Santa Rosa, o BJ enfrenta o Colégio Dom Bosco (MA) em busca de uma vaga na final e do acesso à Primeira Divisão da competição em 2014.

Companheira de Adrianinha no Sport Recife, campeão da Liga de Basquete Feminina, a ala-armadora Letícia Xavier, 17 anos e 1,72m de altura, deixou São Luís (MA) para jogar na capital pernambucana no início do ano. Ela começou no basquete, em 2008, por incentivo da irmã e do professor de educação física, e já foi convocada para a Seleção Brasileira por duas vezes. Na primeira, em 2011, foi cortada. Em 2013, foi chamada novamente, agora na sub 17, e conseguiu se firmar na equipe com direito ao título do Campeonato Sul-americano da categoria, disputado no Equador. “Antes eu tinha um menor ritmo de treino. Depois da primeira convocação, eu já tinha mais experiência”, afirma Letícia.

Sobre a presença de Adrianinha no Pará, a jovem Letícia Xavier fala com carinho sobre a companheira de clube. “Ela nos ensina muito. Hoje estou fazendo a posição dela, porque a nossa armadora Carla Viviane se machucou aqui em Belém. Na partida, ele nos deu alguns toques de como jogar, mas também deu atenção a todo mundo. Adrianinha sempre é muito carinhosa com todos”, lembra Letícia.

Quem também destaca a presença da armadora da Seleção nos Jogos Escolares e, no dia a dia, em Pernambuco, é a pivô Gessiane Araújo, 17 anos e 1,84m. Natural de Anápolis (GO), ela começou no basquete aos 13 anos. “Há uma semana, no Recife, soube que ela seria embaixadora dos Jogos. Fiquei muito feliz. Ela ajuda muito a gente, ajuda os outros atletas também. Ela é tão calma, que acalma a gente  também. No Recife, sempre treino com jogadoras mais experientes. Posso dizer que minhas companheiras de treino são Adrianinha, Érika e Palmira. Sou fã e, quando entro em quadra, paro e penso: eu estou jogando com as meninas da Seleção”, fala Gessiane.

Se, no Recife, Adrianinha tem a companhia da mãe, dona Zenaide, e da filha Aaliyah, 6 anos, as meninas do BJ precisam diminuir a saudade dos familiares através de redes sociais e telefonemas. “A gente mora numa república, estuda e treina longe da família. Mas, sempre nos falamos por mensagem, ligação. É meu primeiro ano longe de casa, a saudade é enorme e foi difícil no começo”, diz Letícia.

A situação de Geissiane Araújo é tão emocionante quanto a das outras meninas do time. Ela começou a jogar basquete, mas nunca teve a presença da mãe em uma partida. A pivô era de uma escola pública e, após alguns treinos em Anápolis (GO), onde morava, foi convidada para jogar por duas escolas particulares, uma na cidade natal; a outra, em Barretos (SP). Na escolha, optou pelo interior paulista, onde passou dois anos. Na sequência, foi para Montes Claros (MG) e, em 2013, passou a morar no Recife.

“Eu estudava em escola pública, queria melhores condições para mim e minha família. Fico muito triste porque minha mãe nunca assistiu a um jogo meu. Quando comecei no basquete, já tive de me mudar para São Paulo. Ligava todo tempo para minha mãe, a gente chorava muito. Ela pedia para eu voltar, mas entendemos que o melhor era ficar no basquete”, lembra, emocionada, a filha de Joana D’arc de Souza Gomes. “A minha mãe sempre me dava força. Quando sai uma matéria, tiro foto e mando para ela ver. Ela fica orgulhosa, diz que eu estou no caminho certo. Quero jogar nos Estados Unidos, conhecer o mundo, defender a Seleção Brasileira e que ela veja um jogo meu”, completa.

Com jogadoras de diversos estados, o time pernambucano do BJ também chama atenção por quatro garotas. Dois pares de gêmeas idênticas também integram a equipe. As irmãs Ana Luiza e Ana Betariz, de Macaparana (PE), e Tainá e Tainara, de Toledo (PR), se mudaram para a capital pernambucana no começo do ano. “O fato de sermos gêmeas ajuda bastante, dá para fazer estratégia de jogo. Às vezes trocamos de camisa e isso atrapalha algumas atletas, que estão acostumadas a marcar uma específica. As pessoas brincam dizendo que o técnico só quer gêmeas no time”, revela Ana Luiza.

A equipe foi formada em março e tem jogadoras de Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Maranhão e Goiás. Todas recebem ajuda de custo, alimentação, acompanhamento médico e psicológico, alojamento e bolsa de estudos de 100%. Além da vida esportiva, a armadora Adrianinha, ou melhor, a estudante de Administração Adriana Moisés Pinto busca lembrar a cada jovem aluno-atleta a importância da relação entre educação e esporte.

“Aos 34 anos, eu voltei a estudar. Comecei no esporte por conta do apoio de minha escola, o Sesi. Tento sempre passar para todas a importância de elas saberem aproveitar esta oportunidade. Muitas vezes, através do esporte, elas podem ganhar uma bolsa. O esporte te leva, não só a ser uma jogadora profissional, mas a outras conquistas pessoais. O esporte e a educação andam juntos. Eu acho que você aprende muito como pessoa, no esporte, através das regras, da disciplina que você tem de ter ao praticar uma modalidade esportiva. Você tem de estudar também. Uma coisa puxa a outra, e só jogar, não dá. As crianças e adolescentes que estão aqui tem de saber da importância de praticar um esporte e, ao mesmo tempo, não deixar os estudos de lado”, explica Adrianinha.  

A embaixadora acompanha as semifinais dos torneios coletivos dos Jogos Escolares da Juventude, nesta sexta, dia 15, a partir das 9h, e pretende ver a partida entre pernambucanas e maranhenses. “Fiquei feliz com o desempenho e por vê-las aqui. Elas estão indo bem. A gente se vê quase todo dia no Sport, treino com algumas. O que eu puder ajudar sempre vou fazer. Eu estou estou sempre com elas. Tenho carinho pelas meninas, a gente acaba virando uma família rubro-negra, mas eu torço para todos os atletas igualmente. Que todos possam aproveitar este momento e curtir ao máximo”, encerra.

Os Jogos Escolares da Juventude Belém 2013 são organizados e realizados pelo Comitê Olímpico Brasileiro, correalizados por Ministério do Esporte e Organizações Globo, com patrocínio da Coca-Cola e apoio do Governo do Estado do Pará e da Prefeitura Municipal de Belém.

Galeria
Crédito: 1 de

Atribua uma nota:

Aguarde...